Impacto Fêmoro Acetabular

O impacto femoroacetabular (I.F.A.) consiste em um contato anormal (impacto) entre a porção da transição cabeça-colo do fêmur proximal e o rebordo anterior do acetábulo. Este impacto ocorre normalmente nos extremos de movimento, mas também pode ocorrer em movimentos de cruzar as pernas, entrar no carro, realizar um chute, fazer um agachamento, dentre outros movimentos.
Para que ocorra um impacto entre essas estruturas é necessário que o indivíduo possua alguma anormalidade no formato do quadril, que pode estar localizada no fêmur ou no acetábulo, ou ainda, que possua um movimento suprafisiológico desta articulação (movimento maior que o normal), comum em pacientes que possuam laxidão ligamentar (liamentos mais frouxos).
Existem basicamente três tipos de impacto: tipo Came, tipo Pincer e impacto Misto, este último o mais frequente.

O impacto tipo Came ocorre secundariamente à alteração na transição entre o colo e a cabeça do fêmur. Existe uma espécie de “lombada” ou “calo” na região que colide contra a margem da articulação em determinados movimentos. Este impacto leva a lesão labral e mais tarde ao descolamento da cartilagem do acetábulo. É mais frequente encontrado nos homens, podendo aparecer em até 30% dos pacientes sem sintomas.
O impacto do tipo Pincer é característico das mulheres e a alteração está no lado acetabular. Há uma sobrecobertura da cabeça femoral, predispondo ao pinçamento do colo femoral. Com o tempo pode ocorrer uma lesão labral e cartilaginosa, causando dor e limitação funcional.
O impacto do tipo Misto é o mais comum. Está presente em 80% dos casos de impacto e reúne algumas características dos dois anteriores (Cam e Pincer) em graus variados.

Veja os tipos de impacto na figura abaixo:

tipo-impacto
Figura 1: exemplos dos tipos de impacto.

Quais são os sintomas do impacto fêmoro-acetabular?

sintoma

Figura 2:sinal do C; maneira em que a paciente refere dor normalmente no impacto tipo pincer.

Geralmente os primeiros sintomas são fisgadas ou travamentos no quadril. Estes sintomas podem surgir em movimentos como entrar e sair do carro, ao levantar-se da cama, ao calçar sapatos, etc.

Pode haver desconforto também após ficar muito tempo sentado ou andando. A dor localiza-se mais freqüentemente na parte profunda na frente da virilha, na “raiz da coxa”. A figura acima ilustra a região mais apontada como origem da dor. Ela se localiza profundamente, no “encontro” dos dedos.

Normalmente estes “travamentos” são auto-limitados e a pessoa com o tempo consegue identificar e evitar as posições que causam a dor. Pode haver clique e/ou estalido local.

Como diagnosticar o impacto femoroacetabular ou a lesão labral?
A chave para o diagóstico correto é a suspeita clínica. Há trabalhos na literatura internacional que relatam que um paciente com impacto femoroacetabular consulta em cerca de oito profissionais e leva aproximadamente 14 a 16 meses até ter seu diagnóstico confirmado.
Então tudo começa com uma boa história clínica, seguido de exame físico detalhado e específico, nunca esquecendo de avaliar a coluna lombar em conjunto, muitas vees a origem da dor é lombar e deve ser excluída.
Quando há suspeita clínica, com exame físico compatível, são realizadas radiografias da bacia e do quadril, em posições específicas, além de ressonância nuclear magnética para avaliar condições da cartilagem e do complexo labrocartilaginoso. Também pode ser necessária a tomografia computadorizada para melhor detalhamento da deformidade.

Como é o tratamento para o impacto femoroacetabular?

Após confirmado o diagnóstico o tratamento vai depender do estágio da doença. Em casos iniciais recém diagnosticados pode ser realizado o tratamento conservador com medicamentos anti-inflamatórios, analgésicos, relaxantes musculares, condroprotetores dentre outras medicações. Além de medicamentos deve ser realizado alterações nas atividades físicas realizadas, evitando movimentos que predisponham ou desencadeiem os sintomas, ou que realizem flexão dos quadris acima de noventa graus.
No entanto, como a doença decorre de alteração anatômica, alguns casos não respondem ao tratamento conservador, nestes casos, o tratamento cirúrgico se impoem.
A cirugia consiste na correção ds defomridades, femoral ou acetabular, com correção do labio acetabular e procedimentos na cartilagem articular, com o intuito de refazer a biomecânica normal do quadril.
Inicialmente nos anos 90 ela foi descrita e realizada de maneira aberta com ótimos resultados. Atualmente a videoartroscopia de quadril vem ganhando espaço para o tratamento dessas lesões, demonstrando resultados iguais e até melhores que o da técnica aberta, principalmente pela reabilitação acelerada.

Na última década houve uma explosão de estudos e procedimentos artroscópicos no quadril, e uma febre na cirurgia de quadril para a realização dos procedimentos e, em algumas vezes ocorrendo uma super-indicação de procedimentos cirúrgicos. Isso ocorre porque alterações anatômicas do quadril como as do impacto femoroacetabular também ocorrem em pacientes assintomáticos. Então não é suficiente ter as deformidades anatômicas na articulação, é necessário, além disso, ter sintomas característicos e principalmente exame físico compatível com o quadro. Por isso, sugiro que você escolha um profissional especializado, que de preferência faça parte as Sociedada Brasileira de Quadril (SBQ), e principalmente seja de sua confiança.
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Figura 3: exemplo de como é realizado o procedimento videoartroscópico do quadril.

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